Sustentabilidade

Conheça Abrolhos – e ajude a preservar

A 70 quilômetros da costa sul da Bahia, o arquipélago dos Abrolhos é um berçário de vida cercado de águas claras e quentes que impressiona os visitantes com sua beleza – e engaja estudiosos e ambientalistas na preservação de toda a região. Abrolhos tem a principal concentração de recifes da costa brasileira e a maior diversidade marinha do Atlântico Sul, com mais de 1.300 espécies catalogadas, algumas endêmicas (ou seja, que só se encontram ali) como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis). É habitat de uma infinidade de peixes e de pelo menos quatro espécies de tartarugas-marinhas, algumas delas ameaçadas de extinção. De julho a novembro, a região recebe visitantes especiais: baleias-jubarte que saem da Antártica para se reproduzir e amamentar os filhotes nas águas quentes da Bahia. Ao olhar para o céu, o espetáculo continua: aves migratórias vêm se alimentar e o atobá constrói seus ninhos no solo rochoso das ilhas, que abriga também três espécies de lagartos, em meio à vegetação rasteira e outras plantas de pequeno porte que formam a flora da região.

Darwin esteve aqui

Abrolhos primeiro chamou a atenção dos navegadores portugueses, que temiam viajar por essas águas repletas de bancos de areia e barreiras de corais, e alertavam aos outros: “Abr’olhos”, um jeito rápido de dizer “Abram os olhos”. O conjunto de ilhas de origem vulcânica surgidas há 50 milhões de anos também impressionou Charles Darwin. O pesquisador britânico que correu o mundo – inclusive o Brasil – a bordo do navio Beagle relatou em seu diário a impressionante beleza da região. Com parte de sua área decretada Parque Nacional Marinho em 1983, a região dos Abrolhos continua sendo fonte de importantes estudos científicos.

Fundo de Conservação dos Abrolhos

A Brazilian Luxury Travel Association apoia uma iniciativa que une as ONGs Conservação Internacional e SOS Mata Atlântica em defesa do meio ambiente em Abrolhos. O objetivo é criar uma rede de áreas marinhas protegidas e um fundo de conservação para fomentar o desenvolvimento sustentável na região, garantindo o equilíbrio dos ecossistemas. As ONGs atuam em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ampliar a extensão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) dos Abrolhos, já que atualmente apenas 4% dessa região (que se estende do município de Belmonte, na Bahia, até Aracruz, no Espírito Santo) é protegida por AMPs. As duas organizações buscam ainda captar recursos e apoiar a gestão e implementação das áreas. A meta é que até 2022 sejam captados e investidos R$ 20 milhões no projeto, que tem potencial de se tornar um exemplo de conservação marinha no país.

Como visitar?

É possível ir e voltar ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos no mesmo dia, em lanchas rápidas. Mas o melhor, especialmente para quem mergulha, é passar pelo menos uma noite em um dos barcos live aboard – não é permitido dormir nas ilhas, e apenas barcos credenciados podem levar turistas ao Parque. O arquipélago tem cinco ilhas (Santa Bárbara, Siriba, Redonda, Sueste e Guarita) e a única em que é permitido desembarque de turistas é a Siriba, em um passeio acompanhado de guia – com a companhia certa dos atobás.